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Sábado, 08 de setembro de 2007 - 20h22m

Agricultura > Arroz

Paraná: Querência do Norte festeja o arroz



Município responde por 25% da produção do estado; cultura representa a maior fonte de movimentação do comércio local.


Querência do Norte/PR

Mais que o status de a maior fonte econômica do município, durante esta semana o arroz está na boca do povo de Querência do Norte (113 km de Paranavaí). Desde o último domingo, não há na cidade outro assunto ou programação que não seja a Festa do Arroz, este ano em sua 26 edição, e que se encerra amanhã, com um missa em ação de graças, almoço com pratos típicos, show de prêmios e apresentações com artistas regionais.

""É a maior festa da região"", afirma a prefeita Rozinei Raggiotto Oliveira (PMDB). Faixas, cartazes, adesivos nos carros. Não há como passar despercebida. O evento, conta o chefe do escritório da Emater, o técnico agropecuário Jadir Francisco dos Santos, começou como uma confraternização de encerramento do encontro de produtores, em 1978. Quatro anos depois, por insistência do pároco da cidade, na época padre Chico, a festa foi aberta à participação da população.

Entre as atividades da semana, a expectativa é com a eleição da Rainha da Festa, ocorrida na quinta à noite, e a Gincana dos Produtores. Diversas modalidades envolvem a participação exclusiva de produtores ou trabalhadores rurais. Na segunda-feira a equipe da FOLHA RURAL acompanhou o encerramento dos campeonatos de futebol suíço, truco (entre mulheres) e canastra, além da prova surpresa, que este ano exigiu o conhecimento de personagens dos desenhos animados. Quatro equipes competem nas diversas modalidades da gincana que se encerra hoje, às 14h30, na praça da Matriz. As quatro equipes participantes são nomeadas pelas principais atividades agrícolas do município: arroz, mandioca, leite e os pescadores.

Na programação de eventos técnicos o destaque é para o 30º Encontro de Rizicultores, programado para hoje. As questões do meio ambiente e da bovinocultura leiteira já reuniram os representantes das cadeias na quarta e quinta-feira, respectivamente.

Entre os quitutes que estão sendo degustados nas barracas, o arroz está em tudo, desde os pratos salgados até a sobremesa. ""Tudo regado a um bom churrasco"", frisa a prefeita. O mais famoso é o Arroz Ochentchê, escolhido como o prato típico da cidade num concurso em 2005. O nome do prato é uma homenagem às duas ""nações"" que colonizaram o município: nordestinos e gaúchos. A receita está nesta página.

Safra em início de plantio
Na lista da produção agrícola do município de Querência do Norte o arroz, pelo tamanho da área cultivada, 4.930 hectares, ocupa a 5 posição. Mas assume a ponta da liderança como principal fonte de movimentação do comércio local. No sistema de cultivo irrigado, a média de produtividade é de 5.700 quilos por hectare (95 sacas de 60kg), segundo o técnico da Emater, Jadir Francisco dos Santos, e responde por 25% da produção do estado. A atividade envolve 220 produtores, a grande maioria da agricultura familiar. ""Temos apenas oito médios produtores"", informa o técnico.

A safra deste ano está em início de plantio. O cultivo no município, quase que na totalidade da área, utiliza a tecnologia da semente pré-germinada. ""A semente é lançada ao solo quando aponta a primeira raiz"", explica o engenheiro agrônomo Kleber Canassa, que cultiva 200 hectares de arroz em conjunto com o pai e dois irmãos. A tecnologia foi trazida de Santa Catarina há cerca de seis anos, por um grupo de produtores do assentamento Pontal do Tigre.

Entre as vantagens dessa técnica, Canassa cita mais fertilidade no solo com menos uso de adubo, menor infestação de ervas daninhas e ganhos na produtividade. ""O meio ambiente também lucra com a redução no uso de herbicidas"".

O processo de pré-germinação da semente é feito pelo produtor. ""Os sacos de sementes são mergulhados em caixa com água por cerca de 30 horas. Depois são empilhados em um terreiro, ou mesmo no solo, e cobertos com lona preta"". Durante esse repouso, que dura até 4 dias, a umidade da semente e o calor do sol forçam a germinação.

Ainda segundo o agrônomo, a técnica permite que a semeadura ocorra com o solo coberto com a lâmina d"água. ""A água impede a entrada do oxigênio e inibe o surgimento de plantas daninhas, como o arroz vermelho"". Apesar de ser um tipo de arroz, ele é apontado como a principal invasora da cultura. """É uma planta agressiva, toma conta da lavoura, acama com facilidade atrapalhando o desenvolvimento da planta comercial, os cachos debulham antes da colheita"", enumera. Não há, segundo Canassa, um herbicida específico para essa invasora que preserve o arroz cultivado.

O pré-germinado também permite o escalonamento do plantio e com isso a otimização da mão-de-obra e do maquinário. ""O plantio ocorre mais cedo e alongamos o ciclo de 140 para 160 dias, melhorando a produtividade"", explica. O sistema permite ainda mais uma colheita com a rebrota da soqueira. A produção é menor, mas ajuda a pagar a despesa"", justifica.


Manejo e cuidados com a água
Dentro do sistema de plantio irrigado a área de cultivo é dividida em quadros com tamanho médio de 2 hectares. Esses piquetes são divididos pelos canais que distribuem a água. Na maior parte do tempo de cultivo os quadros do arrozal ficam submersos. Durante o preparo do solo ou 30 dias antes da colheita a água é rebaixada.

No cultivo pré-germinado o preparo do solo prevê a sistematização da área - o terreno precisa ficar bem aplainado, ""uma mesa"", como ilustra Kléber Canassa. Nesse processo a camada fértil é afastada; depois do processo de ""alisamento"" do solo, ela é devolvida e novamente coberta com água para a semeadura. Em alguns casos, para a fixação da semente, a água é rebaixada por cerca de oito dias. ""Já existem equipamentos mais eficientes para aplainar o solo e que dispensam o rebaixamento da água nesse período"", informa.

Além da irrigação das plantas a água evita a proliferação do fungo responsável pela brusone, considera a pior doença da cultura.

O maquinário utilizado na lida é adaptado para o trabalho em terreno encharcado. Parte do rodado das colhedoras, por exemplo, é substituída por esteiras. No caso dos tratores, dependendo do procedimento, as rodas são trocadas por rodas de ferro ou são acopladas ao lado do pneu de borracha. Canassa possui um trator com rodas de ferro - o chupa-cabras -, desenvolvido pelos catarinenses, para esse trabalho.

Outra questão que recebe prioridade dos produtores é o uso da água. ""Somos a atividade agrícola que mais depende desse recurso"", frisa Canassa, que preside a Associação dos Produtores de Arroz Irrigado do Paraná (Apai-PR). Por isso ressalta as iniciativas visando sua melhor utilização. Em sua propriedade traz água do Rio Ivaí, e para reduzir a retirada, está implantado sistemas que permitem a recirculagem da água, reaproveitada em outros pontos da propriedade.

A sustentabilidade dessa produção e a preservação dos manaciais, segundo Canassa foi tema do Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, realizado no mês passado em Pelotas (RS). O técnico Jadir dos Santos, da Emater, reforça a argumentação de Canassa citando as ações de recuperação de mata ciliar e reserva legal que estão mobilizando os produtores da região.

Faltam pesquisa e preço para o arroz do PR
Apesar da eficiência produtiva dos rizicultores de Querência do Norte, a reclamação é única: falta pesquisa para o arroz do estado. ""A tecnologia, as cultivares, os equipamentos, importamos dos catarinenses ou dos gaúchos"", reclama Kléber Canassa.

A tecnologia do cultivo pré-germinado foi trazida por um grupo de assentados do Movimento Sem Terra (MST), no final da década de 1990. ""Ainda estamos aprendendo a tecnologia"", admite o assentado José Fabro, responsável pela vinda do sistema de cultivo para o município. ""É garantido e tem maior produção"", justifica.

Mas as reclamações não ficam só na falta de tecnologia. Fabro destaca os baixos preços do arroz no mercado. ""Há quatro anos o preço parou enquanto o custo de produção continua em alta"". O valor da saca do arroz fica entre R$ 22,00 e R$ 27,00. O produtor culpa a falta de uma política justa de preços mínimos que garanta ao menos recursos para cobrir o custo de produção. ""Estamos pagando para produzir"", emenda o vizinho José Carlos Gonçalves.

""A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) calcula um custo de produção em R$ 33,00, como podemos sobreviver vendendo por R$ 22,00?"", questiona. Eles citam ainda o desrespeito do governo até mesmo na condução de programas que melhorariam a renda do produtor, como o de venda direta. Segundo ele, o programa federal teria comprado o arroz beneficiado de uma empresa da região por R$ 37,00/saca. ""Nos recebemos R$ 22,00 e a empresa ainda ficou com o lucro dos subprodutos (casca, farelo e quirera)"", completa José Fabro. Os dois produtores destacam também que não há outra opção de cultivo em seus lotes, que estão em uma área de banhado. Para agregar mais valor à produção e melhorar o ganho dos produtores, uma cooperativa do MST, a Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária Avante (Coana), está iniciando o processo de beneficiamento do grão.

Iapar prioriza arroz de sequeiro
O arroz continua no alvo de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo o pesquisador Luiz Osvaldo Colasante, do Programa Arroz, a prioridade é dada para o arroz de sequeiro por concentrar a maior área de plantio do estado. ""Há muito cultivo fechado à subsistência e que não entra nos números de mercado"", informa.

Mas o que mais atrapalha é o número de envolvidos nos estudos. ""Éramos três pesquisadores, dois se aposentarem e estou sozinho no trabalho"", diz. As atividades se concentram numa estação experimental instalada em Cambará.

No ano passado o instituto lançou uma variedade de arroz irrigado, o IPR 135, mas ainda não há produção comercial de sementes. Colasante informa que há uma mobilização para implantar uma unidade demonstrativa em Querência do Norte.

Célia Guerra


‘Preço não cobre custos de produção’
O Paraná produziu nesta safra 110 mil toneladas de arroz irrigado e 70 mil toneladas de arroz de sequeiro. Segundo dados do Deral, a região de Paranavaí, onde se localiza o município de Querência do Norte, é responsável pela produção de 68% do arroz irrigado paranaense. Na safra 2006/2007 o arroz de sequeiro ocupou uma área de 38 mil hectares e o irrigado foi plantado em 19 mil hectares.

De acordo com Metódio Groxko, técnico do Deral, 60% do arroz irrigado e 75% do sequeiro já foram comercializados. Na última semana, a saca de 60 quilos era vendida a R$ 29,00, valor que, segundo os produtores, não cobre os custos de produção.

Já o corretor de cereais David Ramos de Menezes, de Apucarana, tem notícias melhores sobre o preço do arroz. Segundo ele, desde o dia 20 de agosto, se registram reações no mercado do arroz no estado. ""Na região de Querência do Norte não se compra arroz por menos de R$ 35,00 a saca"", afirma.

A qualidade do produto paranaense segundo ele é muito boa, mas ainda não se iguala ao arroz gaúcho. ""O arroz do Paraná agrada o consumidor do tipo 1, mas o padrão extra só se atinge com o produto trazido do Rio Grande do Sul"", informa. Menezes, entretanto, não acredita em mais reação no preço do arroz no mercado nacional, pois o Rio Grande do Sul ainda possui estocado praticamente 75% do produto colhido na última safra. ""Em dezembro já começa a entrar no mercado arroz da safra atual colhido no noroeste do Paraná"".

Menezes concorda com a reclamação dos produtores de Querência do Norte sobre o favorecimento do governo brasileiro para o arroz vindo dos países do Mercosul, como o Paraguai. ""Pela atual política de importação, o governo inside a cobrança do PIS/Cofins sobre o arroz em casca, o que representa um acréscimo de 11% no valor de venda. Já para a compra do produto beneficiado não há taxação alguma"", informa. Então, as grande indústrias brasileiras estão optando por trazer o produto paraguaio, inclusive já empacotado, a um custo mais baixo que o arroz brasileiro.

""Se associarmos a baixa cotação do dólar, o menor custo de produção daquele país, o combustível mais barato e a boa qualidade do produto paraguaio, o mercado se torna extremamente injusto para o produtor brasileiro. O ideal seria o governo incluir ou ao menos trocar o tipo da mercadoria para a taxação"", sugere o corretor de Apucarana. (C.G./Colaborou Raquel de Carvalho)


ARROZ OCHENTCHE
Receita para 300 pessoas

Ingredientes:
30 kg de arroz para risoto
4 kg de queijo parmesão ralado
20 galinhas caipiras (para o caldo e aproveitar a carne para o molho do risoto)

15 kg de sobre-coxa (sem pele e desossada)

1 kg de banha
6 kg de cebola
3 punhados de alho
1 colher de pimenta
1 caixa (gde) de caldo de galinha
colorau a gosto
Modo de preparar:
Colocar a banha em uma panela grande e fritar as cebolas picadas, adicionar o alho picado. Quando estiverem dourados acrescentar a pimenta e, na sequência, pôr as sobre-coxas picadas. Cozinhar bem. Em outra panela preparar o caldo com as galinhas caipiras, desfiando a carne quando estiver bem cozida. Junte à panela do risoto a carne desfiada, o colorau e o caldo. Incorpore o arroz, os tabletes de caldo de galinha mexendo sempre para não grudar. Cozinhar por 20 minutos ou até que o arroz fique bem molinho. Para servir coloque por cima o queijo ralado.

Obs. Não colocar temperos verdes.



Fonte: Folha de Londrina














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