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Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), de Campos dos Goytacazes, vêm buscando encontrar alternativas de adubação para a mexeriqueira Rio em sistema de cultivo orgânico. Este foi o tema da pesquisa de doutorado do engenheiro agrônomo Fillipe Silveira Marini, pelo Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da Uenf, defendida no dia 24 do mês passado e orientada pela professora Cláudia Sales Marinho, do Laboratório de Fitotecnia da Uenf (LFIT).
Na pesquisa foram avaliados três fertilizantes alternativos: o biofertilizante ‘Supermagro’, a urina de vaca e a manipueira, como adubação complementar ao esterco bovino, comumente utilizado no sistema de cultivo orgânico. A espécie mexeriqueira ‘Rio’ foi escolhida por ser uma espécie de grande aceitação pelos consumidores e possuir um preço com maior valor de mercado.
Intitulada “Fertilizantes alternativos no manejo da mexeriqueira ‘Rio’ no sistema de cultivo orgânico”, a pesquisa também teve por objetivo avaliar os efeitos destes produtos nas características químicas do solo, no estado nutricional da planta e na qualidade dos frutos. Os fertilizantes foram aplicados ao solo e/ou em pulverizações sobre as folhas.
Segundo Marini, o biofertilizante aplicado via solo aumentou os teores de boro nas folhas. Esta informação é importante para o manejo nutricional de plantas cítricas, que freqüentemente apresentam deficiência do nutriente. O uso do biofertilizante deve sempre ser acompanhado de análises foliares periódicas e deve ser utilizado apenas quando for detectada deficiência daquele nutriente, pois o aumento excessivo de sua concentração pode ser prejudicial às plantas, levando-as ao desenvolvimento de sintomas de fitotoxidez.
Por outro lado, o biofertilizante aplicado por via foliar aumentou os teores de zinco nas folhas da mexeriqueira, podendo ser utilizado para correção de deficiência desse nutriente, a qual comumente causa redução do tamanho das brotações e depauperamento das plantas de citros. A longo prazo, a deficiência de zinco afeta a produção e a longevidade dos pomares de citros.
A urina de vaca, difundida no Brasil pela Empresa de Pesquisa Agropecuária (Pesagro), pode aumentar os teores de cálcio nas plantas, mas, segundo Marini, sua utilização ainda depende de avaliações periódicas do pomar, tanto do solo quanto das folhas, da quantidade dos nutrientes a ser aplicada, e da forma como aplicar, entre outros aspectos.
Já a manipueira, um subproduto da fabricação da farinha de mandioca, promoveu aumento nos teores de enxofre nas folhas da mexeriqueira ‘Rio.
— Os três produtos avaliados vêm sendo utilizados no manejo de plantas em sistema de cultivo orgânico, principalmente para o controle de pragas e doenças. Nesta pesquisa demonstramos que os produtos interferem, também, no estado nutricional das plantas — disse o pesquisador.
A pesquisa foi realizada no período de fevereiro de 2005 a julho de 2007, na Unidade Experimental do LFIT/CCTA, localizada no Colégio Agrícola de Campos.
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