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Quarta-feira, 22 de setembro de 2010 - 10h09m

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Irrigação de pastagens e bem-estar animal despertam atenção dos produtores



Rio Verde/GO -

Sem dúvida, as duas grandes novidades do 9º Seminário, foram as estações sobre irrigação de pastagens e bem-estar animal. Por coincidência também foram as que mais chamaram a atenção dos participantes.

Na estação de Irrigação de Pastagem, o palestrante foi o agrônomo João Rosseto Júnior, coordenador do Projeto Balde Cheio nos estados de Rondônia e Piauí, que já foi implantado em 4 mil propriedades do País em 23 estados. Este projeto trabalha justamente com a irrigação da pastagem, como umas das ferramentas, para aumentar a produtividade do leite. 






De acordo com Rosseto, a estação foi desenvolvida para mostrar que a irrigação de pastagem é uma ferramenta que o produtor pode trabalhar reduzindo bastante a necessidade de conservar alimentos (silagem e cana de açúcar). “Com a irrigação conseguimos, em média, de 8,5 a 9 meses de pastejo com lotação alta e uns 3 meses e meio com uma lotação um pouco mais baixa, reduzindo o consumo e o trato no cocho, que é o que encarece atualmente a produção de leite”, explicou.

 



Tanto as pesquisas realizadas como os projetos implantados por Rosseto, demonstram a viabilidade da irrigação. Ele mostrou que o custo de adubação e irrigação, dependendo de cada propriedade, é em média de R$ 0,80 a R$ 0,90 para cada 1 a 1,5 litro de leite. “Desta forma posso garantir que é um custo totalmente viável. Hoje se analisarmos o custo da silagem, da cana e da alimentação complementar fica bem mais caro que a irrigação”, justificou ele. Segundo ele, a irrigação não substitui a silagem, mas, reduz bastante o tempo de sua utilização. Isso é o que faz os custos reduzirem, informou.

De acordo com o pesquisador, a irrigação de pastagens é viável tanto para pequenos como grandes produtores de leite. “Temos uma área montada em São Paulo de 3 mil metros para 4 vacas e temos outras áreas montadas para 240 vacas. Então é somente uma questão de escala.

A irrigação serve para qualquer produtor que quiser montar. Isso se transfere até para o pivô de 40 a 50 hectares”, ressaltou. Segundo ele, o segredo é trabalhar tecnicamente, ou seja: fazendo os cálculos hidráulicos e usando a tubulação necessária. “Estamos usando o polietileno ao invés do PVC. Isso também tem feito com que o custo caia. Nossos estudos são para desenvolver técnicas que tentem reduzir o custo de implantação”, frisou.

Com o uso da irrigação em pastagem, aliado ao sistema de rotação de piquetes, pode se conseguir uma lotação muito alta por hectare. “É possível trabalhar com 10, 12, 13 e até um pouco mais, animais por hectare. A quantidade de animal por área aumenta muito e a qualidade do capim, com essa adubação e com esse manejo adequado, aumenta também. O maior benefício é fornecer um alimento de boa qualidade numa área pequena da propriedade”, destacou.

Os resultados, onde a irrigação tem sido aplicada, mostram um ganho na produção de leite que chega a 80 a 100 litros por hectare. Uma propriedade de 10 hectares tem a oportunidade de produzir 800 a 1000 litros.

Durante sua palestra Rosseto explicou que o sistema de irrigação compreende antes de tudo a preparação do solo. “Costumo dizer que a área irrigada não é um pasto, mas uma cultura de pastagem”, ilustrou. Segundo o agrônomo, o solo tem que ser devidamente corrigido e adubado. Depois disso o capim é plantado e o sistema de irrigação implantado. A análise do solo precisa ser feita a cada ano. “Mesmo com todos esses custos os resultados da irrigação são melhores que a silagem”, reforçou.

Bem-estar Animal dá lucro
Outra novidade no Seminário deste ano foi a estação Bem-estar Animal, dirigida pelo zootecnista Adriano Gomes Páscoa, doutor pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Segundo ele, o bem-estar animal é um tema novo por si só, que vem crescendo dia-a-dia no Brasil e até fora do País. Segundo Páscoa, esse é um assunto muito importante pra evolução da produção na pecuária. Ele acredita que não se pode pensar hoje na produção da pecuária sem pensar no bem-estar animal. 





O assunto envolve questões como o ambiente, instalação adequada, qualidade da ração consumida, disponibilidade e qualidade da água e, principalmente, manejo. “Hoje sabemos que é preciso se fazer um manejo adequado para o animal. Não se pode manejar animais com gritos, pancadas, ferroadas e coisas desse tipo. Esse item é extremamente importante”, ressaltou.

Páscoa mostrou resultados de pesquisas que mostram ganho de produtividade e de qualidade, tanto na pecuária leiteira como na de corte, quando se pensa no bem-estar do animal. “As vacas produzem menos leite quando o manejo é feito com gritos e pancadas”, destacou o palestrante. 




Segundo ele, a intenção, com o bem-estar, é reduzir o estresse, mas o produto final é a qualidade. “O que se quer é vender qualidade do produto, qualidade de serviço, pois a medida que se trabalha com um manejo um pouco mais racional, o funcionário que cuida do animal vai cansar e se estressar menos, correndo menos risco de acidente, resumindo, qualidade pra ele, funcionário, e qualidade de vida para os animais”, explicou.

De acordo com Páscoa o bem-estar do animal dá lucro. “Pensando nisso o produtor tem maiores ganhos, melhores produtos e isso se converte de alguma maneira em dinheiro”, resumiu.

Estações
Nas outras estações os participantes tiveram palestras sobre: Silagem, com o doutor em produção animal pela Unesp de Jaboticabal, João Ricardo; Qualidade do Leite, explanada pelo doutor em Ciências dos Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Marcos Veiga; Manejo Sanitário de Rebanhos Leiteiros, que teve como palestrante o doutor em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz e Centers for Diseases Control and Prevention (Atlanta, USA), Amauri Alfieri; e Reprodução de Bovinos, com o médico veterinário e diretor da Ouro Fino, José Ricardo Maio.

Balde de novidades para os produtores de leite
Reduzir custos e melhorar a qualidade e a produtividade do leite para conseguir melhores preços e aumentar o lucro. Este foi o principal foco das palestras apresentadas durante o 9º Seminário de Cooperativismo e Desenvolvimento da Pecuária Leiteira, realizado no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde, no dia 10 de setembro.

Um público de mais de 600 pessoas – entre produtores, acadêmicos, técnicos e profissionais da área – lotou o auditório principal do CTC, durante a abertura do evento. O vice-presidente de operações, da Comigo, Aguilar Ferreira Mota, destacou o importante papel do leite na vida econômica da Cooperativa e alertou os produtores para o momento de transformações que o setor está vivendo no País, para que a atividade se torne mais competitiva e rentável. “É importante que vocês se preparem, qualifiquem e se atualizem para melhorar não só a produtividade mas, sobretudo, a qualidade do leite”, salientou.

A exemplo do que foi feito na 8ª edição, este ano foram montadas seis estações, cada uma com um palestrante, de renome nacional, abordando assuntos de grande relevância sobre a pecuária leiteira. O público foi dividido em seis grupos, cada um com aproximadamente 100 pessoas. Após assistir palestra em uma estação, com duração de 40 minutos, se dirigia para uma nova estação realizando assim um rodízio.

A Coordenadora de Treinamento de Cooperados da Comigo, Siomara Martins de Oliveira, lembra que os interessados nos resultados e dados técnicos referentes ao projeto de irrigação de pastagem dos experimentos e pesquisas apresentadas durante o 9º Seminário do Leite se encontram disponíveis, basta procurar o setor de Treinamento de Cooperados na sede administrativa da Cooperativa, em Rio Verde, ligar para o número 3611-1555 ou enviar e-mail para treinamentorh@comigo.com.br. 

Texto e Fotos: Samir Machado


Fonte: Comigo














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