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Terça-feira, 08 de maio de 2007 - 12h31m

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Criação de abelhas nativas ajuda a preservar meio ambiente e ainda é fonte de renda



Boqueirão do Leão/RS -

Suas colmeias ocupam o interior de caules, os galhos mais altos ou até o subsolo. São centenas de espécies responsáveis por 90% da polinização das plantas brasileiras. As abelhas sem ferrão são nativas na América do Sul e em outros continentes, mas estão quase desaparecendo em função da destruição ambiental. Hoje, estão restritas a algumas áreas ou adaptando-se aos novos espaços, construindo seus ninhos em muros, por exemplo. Mas a situação, aos poucos, vai se invertendo pelo encantador processo de criação desses insetos, conhecidos no meio científico como meliponíneos.


Colmeias ocupam o interior de caules, os galhos mais altos ou até o subsolo
Fotos: Divulgação

No Vale do Taquari, cresce a cada dia o interesse de agricultores e moradores de áreas urbanas em criar as abelhas sem ferrão. Nas cidades, é comum encontrar as caixas que abrigam as famílias e quando se começa a conversar sobre elas, sempre aparecem mais interessados. A desinformação faz com que ainda seja usado um sistema bastante empírico, baseado na observação dos hábitos delas na natureza, mas que as poucos vai ganhando adeptos e pesquisadores.


As abelhas sem ferrão estão desaparecendo em função da destruição ambiental


O agrônomo da Emater/RS-Ascar Paulo Conrad explica que esse tipo de abelha sofreu muito com os impactos do desmatamento e do uso de agrotóxicos. “Elas são um hobby para os criadores, dão prazer ao criador e sua família e não oferecem nenhum risco de acidente com enxames por que elas têm o ferrão atrofiado”, destaca. Mesmo assim, cada espécie tem formas próprias para se defender. Algumas se enroscam no cabelo das pessoas, outras exalam odores que afastam os agressores e, ainda, há aquelas que usam a própolis para imobilizar invasores da colmeia.

Mas a criação dos meliponíneos também tem vantagens econômicas. O mel é considerado medicinal por suas propriedades e tem um sabor diferenciado quando comparado ao produzido pelas abelhas africanas. Cada colheita pode resultar em até um quilo de mel, mas em geral fica em 600 a 700 gramas a cada seis meses. O criador pode ganhar dinheiro, ainda, com a venda de enxames, pelos quais pode se cobrar a partir de R$ 200 no caso de espécies mais comuns, como a jataí. Algumas mais raras podem sair por mais de R$ 500. Em 12 meses é possível triplicar o número de enxames ao realizar a divisão correta. Conrad aposta no uso das abelhas nativas para projetos paisagísticos como um filão a ser explorado. “Elas ficam muito bem em jardins, embelezando pelo seu movimento e polinizando as plantas, auxiliando na manutenção”, explica.

Como criar
O primeiro passo para iniciar a criação é capturar um enxame ou comprá-lo de criadores já estabelecidos. A captura das abelhas na natureza pode ocasionar a destruição dos ninhos pela dificuldade de retirada em função da localização. “Muitos estão no interior de caules ou no solo e é difícil localizá-los. O ideal é atrair as abelhas, sem mexer na família”, ensina o agrônomo da Emater/RS-Ascar. A maneira encontrada pelos criadores é colocar uma garrafa pet com uma pequena abertura na ponta ao lado do enxame. Aos poucos, as abelhas vão construindo uma nova morada e depois fica fácil transplantar para uma caixa.


Ninho das abelhas sem ferrão




Em geral, os criadores utilizam caixas de madeira com uma abertura pequena em uma das extremidades para permitir a entrada e saída dos insetos. No entanto, o desconhecimento sobre os hábitos de cada espécie faz com os modelos de moradas não se adequem as exigências das abelhas. “Algumas formam famílias grandes, outras pequenas. Umas têm uma produção maior que outras, o que determinada o tipo de casa que vão construir”, diz Conrad.

Caixa adequada é fundamental
para o sucesso da criação


Buscar a caixa adequada é essencial para o sucesso da criação. Foi o que fez o criador Valmir Züge, de Boqueirão do Leão, referência nacional sobre as abelhas sem ferrão. Em sua casa, possui mais de 30 espécies, muitas delas de outras regiões do Brasil. A temperatura interior da colmeia deve ficar entre 26ºC e 28ºC e por isso a espessura da madeira utilizada é fundamental. Além disso, o tamanho deve ser dimensionado a partir da quantidade de insetos das famílias de cada espécie e dos hábitos de construção da colmeia.


Valmir Züge, de Boqueirão do Leão, referência nacional sobre as abelhas sem ferrão

 

Züge desenvolveu um modelo de caixa específico para a espécie jataí, a mais comum na região, que facilita a divisão dos enxames e coleta do mel. Elas tem cerca de 30 centímetros de altura por 15 centímetros nas laterais e são divididas em três blocos iguais e independentes. Nos dois primeiros andares as abelhas constróem os ninhos para colocação dos ovos e as reservas de mel para alimentação. Na parte superior fica o mel excedente. “Assim, fica fácil fazer a colheita, pois basta retirar a parte superior e colocar uma nova, para que as abelhas recomecem a produção. A divisão do enxame também é facilitada, pois separa-se ao meio, sem interferir no funcionamento da família, que irá se organizar a partir do que restou”, descreve o criador.

Outra criação de Züge são caixas com termostato para abelhas de outras regiões, principalmente do Nordeste. Elas necessitam de uma temperatura maior no interior da caixa para se manter em atividade e um sistema eletrônica mantém estável em 30ºC. Os detalhes das caixas podem ser acessados no site http://www.meliponario.com.br que o Züge mantém e que contém informações sobre as espécies e formas de criação.

As abelhas
As colônias de abelhas sem ferrão têm uma organização semelhante às abelhas africanas, com uma rainha-mãe, operárias e machos, dependendo da condição geral da população. Os machos são encontrados quando há excedente de alimentos e presença de células reais, indicativo de que haverá fecundação de rainhas virgens. O ciclo de vida das abelhas fica em torno de 30 a 40 dias e cada uma tem uma função no ninho: limpeza, nutrição, construção, ventilação, guarda e coleta.

Dentro dos ninhos, elas guardam mel e pólen em potes ovalados de cerume. Eles ficam localizados próximos aos favos de cria, dependendo do espaço disponível na colônia. Os favos de cria são normalmente dispostos em forma de discos empilhados, sendo que algumas espécies apresentam favos em forma espiral e em cachos. Várias espécies envolvem a área de cria com uma capa folheada de cerume (invólucro), para proteger larvas e abelhas mais jovens das variações da temperatura, informa o portal www.ambientebrasil.com.br.

Leandro Brixius


Fonte: Emater/RS-Ascar














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